sexta-feira, 12 de junho de 2015

Um sorriso


Aquele dia o sol resolveu castigar de verdade os caminhantes. Depois de muito andar e admirar toda a beleza daquela cidade finalmente achei um parque. Acabei de tomar o pouco de água que restava na garrafa e fui à procura de um lixo onde colocá-la e de um banco para sentar. Encontrei os dois no mesmo lugar. Tirei os tênis, fechei os olhos e deixei a grama fazer o seu trabalho. Uma sensação estranha começou a me perturbar, abri os olhos e a vi me olhando fixamente. Na hora pensei: Cadê a máquina? Estava ali ao lado. Devolvi o olhar e ela sorriu, como quem não quer nada estacionou o carro cheio de recicláveis, sentou-se ao meu lado e desatou a falar. Contou a tristeza da vida que tinha em seu país antes de chegar aqui, da falta de tudo, da morte, da difícil travessia de barco no Mediterrâneo revolto, de não ter ninguém a quem sentir saudade. Quando eu já estava sem fôlego, sorriu de novo e me disse: agora estou feliz, tenho com o que trabalhar. E assim como tinha chegado, se foi. A mim só restou lavar o banco com as lágrimas.

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