Quarto país no mundo com o maior número de idosos, a Espanha
já possui mais de oito milhões e meio de pessoas maiores de 65 anos e a
perspectiva é de que esse número aumente ainda mais nos próximos anos. Os
velhos vivem cada vez mais sozinhos, impressiona o grau de independência. Dá
gosto ver a autonomia nas pequenas coisas como andar de ônibus e fazer compras
no supermercado. Sem ajuda nenhuma, eles estão pelas ruas, tomando café, ou uma bebida mais forte, sentados nos bancos de praças, jogando e dançando nos clubes e
centros de idosos. Nos bares e restaurantes, eles se reúnem em grupos para o
café da manhã, refeição ou lanche da tarde, sempre muito bem arrumados, as
senhoras nos melhores trajes e bem maquiadas. E não são os “mais jovens” de 65,
70 anos, mas aqueles com 80, 90 anos. E além de cuidarem de si, ainda ajudam
filhos e netos. Muitas vezes, são eles os responsáveis por levar os netos na
escola, no parque, nas atividades esportivas, ou, em tempo de crise econômica,
arcam com uma parte das despesas dos filhos.
Talvez a longevidade tenha a ver com a tranquilidade que o
espanhol leva a vida, pelo menos em Córdoba. O tempo não tem muito a ver com o
relógio, não existe pressa. Alguns exemplos que presenciei: em uma parada de
ônibus está para subir uma mulher com um carrinho de bebê, o ônibus para, ela
se despede do marido com um beijo e entra tranquilamente, o que deve ter levado
um minuto ou mais e ninguém reclamou, o motorista muito cortês vendo a cena e esperando.
Também no ônibus ninguém sai apressado para descer, esperam o ônibus parar para
começar a sair de onde estão sentados, principalmente os idosos. A sinaleira
abre, ninguém tem pressa de sair com o carro, 10, 20 segundos e o primeiro da
fila anda, raramente se ouve alguém buzinar. No supermercado, o atendente seja
da caixa, da padaria ou açougue conversa com um companheiro de trabalho e todo
mundo espera pacientemente. Os bares, normalmente, têm um garçom que faz tudo,
serve mesa, cobra a conta e ninguém fica aos gritos pedindo para ser atendido,
quando muito se ouve um “perdona, cuando puedas”.




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