terça-feira, 30 de junho de 2015

Sem pressa

Quarto país no mundo com o maior número de idosos, a Espanha já possui mais de oito milhões e meio de pessoas maiores de 65 anos e a perspectiva é de que esse número aumente ainda mais nos próximos anos. Os velhos vivem cada vez mais sozinhos, impressiona o grau de independência. Dá gosto ver a autonomia nas pequenas coisas como andar de ônibus e fazer compras no supermercado. Sem ajuda nenhuma, eles estão pelas ruas, tomando café, ou uma bebida mais forte, sentados nos bancos de praças, jogando e dançando nos clubes e centros de idosos. Nos bares e restaurantes, eles se reúnem em grupos para o café da manhã, refeição ou lanche da tarde, sempre muito bem arrumados, as senhoras nos melhores trajes e bem maquiadas. E não são os “mais jovens” de 65, 70 anos, mas aqueles com 80, 90 anos. E além de cuidarem de si, ainda ajudam filhos e netos. Muitas vezes, são eles os responsáveis por levar os netos na escola, no parque, nas atividades esportivas, ou, em tempo de crise econômica, arcam com uma parte das despesas dos filhos.
Talvez a longevidade tenha a ver com a tranquilidade que o espanhol leva a vida, pelo menos em Córdoba. O tempo não tem muito a ver com o relógio, não existe pressa. Alguns exemplos que presenciei: em uma parada de ônibus está para subir uma mulher com um carrinho de bebê, o ônibus para, ela se despede do marido com um beijo e entra tranquilamente, o que deve ter levado um minuto ou mais e ninguém reclamou, o motorista muito cortês vendo a cena e esperando. Também no ônibus ninguém sai apressado para descer, esperam o ônibus parar para começar a sair de onde estão sentados, principalmente os idosos. A sinaleira abre, ninguém tem pressa de sair com o carro, 10, 20 segundos e o primeiro da fila anda, raramente se ouve alguém buzinar. No supermercado, o atendente seja da caixa, da padaria ou açougue conversa com um companheiro de trabalho e todo mundo espera pacientemente. Os bares, normalmente, têm um garçom que faz tudo, serve mesa, cobra a conta e ninguém fica aos gritos pedindo para ser atendido, quando muito se ouve um “perdona, cuando puedas”.








sexta-feira, 12 de junho de 2015

Um sorriso


Aquele dia o sol resolveu castigar de verdade os caminhantes. Depois de muito andar e admirar toda a beleza daquela cidade finalmente achei um parque. Acabei de tomar o pouco de água que restava na garrafa e fui à procura de um lixo onde colocá-la e de um banco para sentar. Encontrei os dois no mesmo lugar. Tirei os tênis, fechei os olhos e deixei a grama fazer o seu trabalho. Uma sensação estranha começou a me perturbar, abri os olhos e a vi me olhando fixamente. Na hora pensei: Cadê a máquina? Estava ali ao lado. Devolvi o olhar e ela sorriu, como quem não quer nada estacionou o carro cheio de recicláveis, sentou-se ao meu lado e desatou a falar. Contou a tristeza da vida que tinha em seu país antes de chegar aqui, da falta de tudo, da morte, da difícil travessia de barco no Mediterrâneo revolto, de não ter ninguém a quem sentir saudade. Quando eu já estava sem fôlego, sorriu de novo e me disse: agora estou feliz, tenho com o que trabalhar. E assim como tinha chegado, se foi. A mim só restou lavar o banco com as lágrimas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Maio e igreja

Maio termina como começou: repleto de festas. O Mayo Cordobés teve um pouco de tudo, mas na essência, muitas flores. Começou com a batalha das flores e com as cruzes. Logo veio o festival de pátios. Nas casas do centro histórico, os moradores cultivam muitas variedades de flores e em maio abrem as portas para a visitação do público. Este ano, as visitas bateram recorde, todos os dias havia filas enormes na maioria dos pátios. Além da visitação, é realizado um concurso para premiar os pátios mais bonitos. E o mês termina com a Feria de Córdoba, em homenagem a Nossa Senhora da Saúde, padroeira da cidade, uma semana de muito baile e atrações, num espaço onde são montadas umas pequenas “casas” em que as pessoas podem aproveitar as diferentes opções de comidas, bebidas, dança e muita animação.





















Mudando de assunto, a Espanha talvez seja o país onde a influência e a presença da igreja católica é mais forte e evidente em todos os setores. Um exemplo. Agora é época de entrega do imposto de renda e o contribuinte pode optar em doar 7% do total de seu imposto para a igreja, que usa para a manutenção de sua estrutura, desde a conferência episcopal, dioceses e paróquias. Outra opção é doar 7% para fins sociais, que vão para ONGs e entidades que trabalharam com atendimentos sociais e aí se inclui a Caritas e outras entidades da igreja. Também é possível marcar as duas opções e doar 7% para cada.