terça-feira, 21 de abril de 2015

Flores, Flamenquín e Sebastião Salgado

Cidade colorida – Córdoba é especialmente fotogênica na primavera. Os jardins de rosas colorem toda a cidade, sem falar na quantidade de outras variedades de flores. As ruas, os parques e também as casas e apartamentos se enchem de luz e cor, esperando a chegada da Festa das Flores em Maio. Acho que as fotos falam melhor.











Flamenquín – Córdoba é uma cidade festiva. Aliás, a Espanha o é. A quantidade de festivais e festas é impressionante. Tudo é motivo para comemoração. No sábado, 18, a Plaza de las Tendillas recebeu a segunda edição do Festival El Flamenquín Cordobés más grande del mundo. Fomos lá ver e experimentar.
Flamenquín é um prato feito à base de jamón serrano, lombo de porco e envolto em farinha de pão, em algumas variações, pode ser recheado com queijo, pimentão, depois de pronto é frito e servido em fatias. O feito entrou para o livro dos recordes. O maior flamenquín media 110,75 metros e foram utilizados cem quilos de carne, trinta quilos de jamón, trinta e cinco litros de ovos e quarenta quilos de farinha de pão. Além do inusitado do evento, o que chama a atenção é o envolvimento dos cordobeses, e dos intrusos, dizem que entre oito e dez mil pessoas estiveram presentes para provar o famoso quitute. Mas mesmo, antes que o centro da festa estivesse pronto, “outros flamenquíns” eram servidos, um pratinho com algumas rodelas, acompanhado de batata frita e uma bebida. Dentro das comemorações também acontece a rota do flamenquín, bares e restaurantes participam de um concurso onde serão escolhidos, por voto dos clientes, os cinco melhores flamenquíns de Córdoba.













Sebastião Salgado – Desde março, as obras de Sebastião Salgado enfeitam o bulevar El Gran Capitán. A exposição Génesis retrata os lugares que ainda não sofreram transformações ao redor do mundo e faz parte da 14ª Bienal de Fotografia de Córdoba. O conjunto de 38 fotografias em preto e branco está dividido em cinco partes: a Antártida e os confins do Sul; os Santuários, como o da Ilha de Galápagos; a África; as terras do Norte e Amazonia e Pantanal.
No mesmo espaço da exposição acontece até o final do mês, a 42ª Feira do Livro.















terça-feira, 14 de abril de 2015

Um espetáculo sagrado profano

 A Semana Santa de Córdoba é um espetáculo que merece ser vivido intensamente. Algo que talvez seja impossível expressar em palavras e fotos é preciso sentir. Muito além de ser um ato religioso católico é um show de imagens e sons. Espiritual e mundano ao mesmo tempo, onde a reza e a crença se misturam ao comer e beber, ou, quem sabe, viram desculpa para tal.
Uma festa celebrada em toda a Espanha, que começa no domingo de Ramos e termina com a procissão do Cristo Ressuscitado, no domingo de Páscoa, onde cada região tem suas particularidades. São apresentadas as etapas da paixão, morte e ressurreição de Cristo.
La Virgen
Como brasileira, não tem como não pensar na nossa festa maior, o carnaval, uma semana onde tudo para e as atenções são todas para o espetáculo. É impossível não fazer comparações. O desfile, os participantes, o público que assiste, a organização, a divulgação, a festa em si, guardam muita similaridade com o nosso carnaval de rua. Sem falar na geração de renda e na movimentação turística em cada cidade. Segundo informes dos setores hoteleiros e de restaurantes e bares, essa foi a melhor Semana Santa dos últimos sete anos. Em Córdoba, a ocupação dos hotéis superou os noventa por cento e os bares estavam sempre lotados.
Assistimos a quatro dias de procissões e apesar de a estrutura ser a mesma, as peculiaridades de cada uma são impressionantes, algumas são silenciosas, outras andam ao toque das bandas. Nos sete dias, sábado não há procissão, desfilaram 37 cofradías ou hermandades, seis em cada dia e uma, El Resucitado, encerrando a festa no último domingo. A estrutura de todas as procissões é muito parecida, tudo muito ensaiado e cronometrado. Todos os locais por onde o cortejo passa tem um horário que sempre é cumprido, tem hora para iniciar e hora para acabar.
Los nazarenos
à espera da procissão - Puente Romano
Todas as procissões têm uma estrutura praticamente idêntica e, voltando às comparações, muito semelhante a uma escola de samba. É basicamente assim: Dependendo da confraria, o anúncio da procissão é feito por uma pessoa tocando um sino ou chocalho ou pela banda de cornetas e tambores, que num ritmo marcial vai introduzindo a procissão. Logo em seguida, vem o estandarte com a cruz da paróquia e o estandarte da hermandad. Seguem os penitentes ou nazarenos, vestidos com túnicas que ocultam o rosto. Os tronos levam imagens de Cristo e de Maria, com muitos símbolos romanos, e muito além de expressarem a fé, são verdadeiras obras de arte. São carregados por homens, os costaleros, que vão sendo revezados a cada tempo. Além disso, muitas velas e incensos são carregados pelos integrantes da procissão. Todo o caminho é controlado por pessoas encarregadas de fazer andar ou parar o cortejo. A cada parada, o trono principal é baixado, creio que para descanso dos carregadores, ao subir a imagem, palmas de quem está assistindo. Quem controla o andar do trono é o mayordomo encarregado de incentivar os carregadores e indicar a direção certa a ser conduzida a imagem. No final do desfile estão o presidente e outros integrantes da confraria, os paroquianos, seguindo uma ordem hierárquica, e ao final de tudo, segue o povo que quer acompanhar a procissão. O trajeto tem seu início na igreja a que pertence a hermandad e segue por várias ruas, mas todas passam pelo caminho oficial.
Los Costaleros
Mesquita Catedral e os bares
Além de toda a beleza da procissão, interessante também é o entorno. As pessoas que assistem, na maioria, são turistas interessados em fazer fotos e vídeos, como eu, mas também têm aqueles que se emocionam, tocam as imagens, choram e rezam. Comum a todos, comer, especialmente pipas (sementes de girassol), e beber ao longo do trajeto. Os bares convivem muito bem ao lado das igrejas e não é incomum ver um integrante de uma confraria entrar em um bar e sair com um copo de cerveja.
Com tantos detalhes, algo deve ter passado despercebido, mas uma coisa é certa, a Semana Santa de Córdoba merece ser vivida e revivida.
E na cidade das festas, a Semana Santa estava em andamento e uma outra festa já estava sendo divulgada: a Festa de Maio, um mês inteiro de programação, que inclui a Fiesta de los Patios, as Cruces de Mayo, a Batalla de las Flores e a Feria de Córdoba.

Puerta del Puente



Ao redor da Mesquita













Procissão e Mesquita Catedral ao fundo



caminho por onde passa a procissão, bandeiras nas janelas




fugindo do sol

bolas de vela








El Recusitado