Comemorar o dia das mulheres sempre me pareceu um pouco contraditório. Se por um lado, devemos reverenciar as mulheres que morreram lutando por melhores condições de trabalho e vida, também é verdade que avançamos muito pouco desde então. É claro que viramos donas de fábricas, chegamos à presidência da República, somos comandantes de aeronaves, chefes de repartições públicas, sindicalistas, ministras, reitoras, e mais um monte de cargos importantes ocupados por mulheres. Mas - e sempre tem um mas -, ainda continuamos ganhando menos que os homens, nas mesmas funções, ainda continuamos a ser maltratadas, humilhadas e mortas, seja no Afeganistão ou no Brasil. Ainda continuamos a ser exploradas em publicidades como a loira gostosa que serve cervejas e o corpo aos homens, ou somos vistas como a que faz qualquer negócio para aparecer pelada em revistas masculinas. E a culpa não é apenas dos homens, que ainda nos vêem como objetos de decoração ou de uso, mas de toda a sociedade que não respeita as diferenças de todos os tipos. E das mulheres, especialmente, que ainda não descobriram a força que têm, que ainda educam seus filhos como se o mundo fosse um domínio masculino. O dia em que as mulheres acreditarem na sua força e descobrirem que as suas vidas não são uma concessão dos homens, como nos faz acreditar a igreja católica, o mundo será outro e apenas comemoraremos o feito daquelas operárias que acreditaram que podiam mudar suas vidas e das gerações futuras. Não precisamos de um dia em que somos convidadas a participar da tribuna de honra de um clube de futebol europeu, de um dia em que recebemos flores e beijos, de um dia em que podemos assistir a jogos ou espetáculos de graça, de um dia em que a maioria das empresas nos presta algum tipo de homenagem. Precisamos de todos os dias de respeito, de aceitação da nossa capacidade, de valorização do nosso potencial. Precisamos de uma sociedade que saiba ser humana e onde todos tenham oportunidades de demonstrar seus talentos sem ter que morrer por isso.
Fora da minha vida (*)
-
*Teu cheiro ainda impregnado em todos os meus poros Teu pulôver em tom
esverdeado na prateleira do roupeiro Teu livro sobre Fidel ...
Há 7 meses
Um comentário:
plac, plac, plac
Postar um comentário