terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os guris da rua

Final de tarde. Aos poucos eles vão chegando, dois, quatro, oito, dali a pouco já são dez. Na rua são os donos, os carros que desviem, pois nesse momento não podem parar. Com sol, ou sem, eles estão lá. Se chover melhor ainda, lama e água completam o espetáculo.
Na cidade de um milhão e meio de pessoas que não param, a rua para e os guris jogam bola.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Arquimedes

Viver a vida toda em uma cidade é algo interessante. Conhecer sua história, suas ruas, seu povo. Fazer parte de uma história. Andar pelas ruas e lembrar casas e prédios que não existem mais, pessoas que passaram por ali, lembrança de épocas que fizeram sua vida e a vida da cidade. Virar e esquina e encontrar um conhecido, começar o dia com o pão quentinho da padaria, perguntar pela família do livreiro, ver crescer os filhos do vizinho e saber onde estão e quando voltam para casa, encontrar os amigos no café todas as tardes. Viajar, conhecer outros lugares, mas voltar e ter um referencial, voltar e saber que tudo está praticamente igual.
Tudo isso porque li a alguns meses Arquimedes, um romance coletivo de oito escritores santa-marienses, natos ou adotados. Ambientado em Santa Maria, onde nasci e passei alguns períodos da minha vida, recria uma cidade da memória dos autores, e me despertou belas recordações dessa minha cidade tão rica de lembranças e, agora, tão distante.