sexta-feira, 19 de junho de 2009

Parem as rotativas!

Quarta-feira, 17 de junho, poderia ser um dia como outro qualquer, nenhum sinal extraordinário, nenhuma nuvem especial, nenhum pensamento horripilante, nem fugaz. Mas nunca será uma quarta-feira qualquer. Foi a quarta-feira! aquela em que oito senhores de preto decidiram que quatro anos não valem mais nada. E ruminando a notícia, lembrei daqueles quatro anos.
Era um tempo em ebulição. Diretas Já, o povo nas ruas, eleições diretas, Collor, impeachment e o começo de uma aventura que iniciou bem antes, nos livros de Jorge Amado, Luiz Antonio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Fernando Morais e tantos outros. Uma história que deveria ser cheia de aventuras, viagens, reportagens que mudariam o mundo. Por quatro anos, esses desejos cresciam, embalados nas histórias de Ricardo Kostcho e Gilberto Dimenstein. A tortura deliciosa de contar cada letra para chegar a um título, a medida exata do parágrafo, da linha, da coluna, as paicas, o primeiro super computador - de super só o tamanho - as investidas fotográficas, as saídas em busca do personagem para a reportagem perfeita, o primeiro jornal experimental. A correria para chegar a tempo de entregar a monografia, o frio na barriga na hora de dizer adeus e acima de tudo, os mais valiosos amigos. E claro, todas as dificuldades e contratempos, que acabam valendo também. Todas essas lembranças voltam quando oito homens de preto resolvem dizer que isso não vale nada. Que o que conta é o talento e a vocação. Certo, mas conta também conhecer todos os lados da notícia, aprender que uma reportagem não é feita apenas por aquilo que dizem os manuais dos empregadores, conta saber que o que está escrito pode mudar a vida de muita gente, para o bem ou para o mal, conta aprender com quem já passou por uma redação, já esteve na frente ou atrás de uma câmera. Enfim, saber que a união da teoria e da prática sempre acaba em algo produtivo. Mas parece que aqueles oito senhores ainda não aprenderam isso.

Um comentário:

Dorotéia Sant'Anna disse...

Já para cá!!! Hora de escrever, mocinha! Acabou a folga!!!besos