segunda-feira, 17 de agosto de 2015

um pouco de férias

Vinte e quatro dias, três países, cinco mil trezentos e sessenta e nove quilômetros. Assim poderiam ser resumidas nossas férias de verão. Mas muito pouco para tudo o que vivemos e conhecemos nesses dias. Planejamos uma viagem a Roma conhecendo a costa mediterrânea. Antes de começar a contar da viagem um adendo: mudamos de apartamento no mesmo dia que iniciamos a viagem, isso gerou alguns percalços como esquecer o cabo para baixar as fotos, a erva-mate e a garrafa térmica. 
serra andaluza
Saímos de Córdoba na sexta-feira, 10 de julho, logo após o meio-dia em direção à praia de Denia, em Alicante, nossa primeira parada. O caminho de quinhentos e poucos quilômetros foi mudando aos poucos, começando pelas serras Andaluzas e suas plantações de oliveiras, adentrando em Castilla La Mancha com seus mistérios de Don Quijote. Passamos por cidadezinhas que a cada pouco te faziam lembrar as aventuras contadas por Miguel de Cervantes. Era só deixar a imaginação voar um pouquinho para ver passar Don Quijote e seu fiel escudeiro, Sancho Panza. 
na rota de Don Quijote






Logo entramos na Comunidade Valenciana e a surpresa com a imensidão dos pomares de laranja valencia. Aos poucos, a costa começava a aparecer e íamos acompanhando o mar ao mesmo tempo em que o dia ia indo embora. Chegamos ao camping passado das dez da noite. A primeira comprovação ao começar a montar a barraca era que tínhamos deixado o suporte de luz, o que foi gentilmente resolvido pelo nosso vizinho, que nos ofereceu a luz até terminarmos a montagem. A segunda descoberta foi muito boa: o restaurante do camping e não só porque estávamos mortos de fome, mas porque a comida era deliciosa, umas das melhores que experimentei na Espanha, e o preço melhor ainda. A dona, uma venezuelana, deve ter sido cozinheira a vida toda, além de ser uma simpatia de pessoa. Passamos quatro dias aproveitando o calor da água do Mediterrâneo e a tranquilidade da pequena Denia.
caminho para Denia






praia de Denia, Alicante






A segunda parada foi em Cambrils, na região de Tarragona. Pela estrada seguíamos vendo os laranjais e o interessante, plantados em degraus para aproveitar o relevo montanhoso. Deixamos a Comunidade Valenciana e entramos na Cataluña. Para encontrar a praia, a primeira dificuldade foi entender as placas indicativas, todas em catalão. Depois de encontrar o camping foi só desfrutar da praia. 
laranjeiras em degraus
chegando na Cataluña

Cambrils






Deixamos a Espanha e começamos a entrar na França. Aí encontramos nossa amiga Vanessa, que nos salvou a vida com o francês e nos fez companhia o restante da viagem. Entramos em Montpellier para buscá-la na estação de trem e depois de umas dez voltas na cidade (meio perdidos) saímos em busca de um camping. A partir da França, não tínhamos previsão de quantos dias ficar em cada lugar e tampouco onde íamos parar, buscávamos hospedagem conforme íamos decidindo, o que gerou algumas dificuldades, mas no final o resultado foi ótimo.
chegando na França

 Montpellier
Depois de alguns telefonemas, da Vanessa, conseguimos um bangalô muito legal em um camping em Palavas Le Flots, mas só podíamos ficar dois dias. Subimos um pouco mais e paramos em Les Issambres, na região da Costa Azul, um dos lugares mais bonito da viagem. A paisagem começou a apresentar novidades, surgiam as videiras e, por consequência, as vinícolas. Também as primeiras lavouras de girassol.
Palavas Les Flots










Les Issambres é uma praia pequena rodeada de penhascos, e, ao contrário dos lugares anteriores, começamos a ouvir outros idiomas que não só o local. Uma praia bem familiar, muitas crianças e muita gente lendo na praia. As famílias vão passar o dia e levam tudo o que é necessário, incluindo livros. O lugar nos rendeu uma das melhores experiências da viagem: piquenique na praia no final da tarde. 
Les Issambres





Aproveitamos também para conhecer Saint Tropez, uma antiga vila de pescadores que hoje só é famosa pela quantidade de iates e concentração de dinheiro por metro quadrado. Um lugar nada demais se tirarmos os barcos e as mansões de famosos e milionários. Mas o passeio de barco pela enseada valeu lindas imagens.








A próxima parada seria na Itália, mas antes de chegarmos lá paramos em Cannes, uma linda cidade que merece uma visita mais prolongada. A paisagem da serra na estrada vicinal que pegamos para chegar a Cannes é espetacular, a estrada cheia de curvas e penhascos dá uma emoção a mais ao trajeto.
caminho para Cannes





Palácio dos Festivais

Cannes





Continuamos pela costa mediterrânea em direção a Pisa, nossa primeira parada na Itália. A recepção em terras italianas não poderia ser melhor. Logo ao cruzar a fronteira em direção a Genova a rádio italiana começa a tocar Tribalistas. Entrar na Itália foi uma sensação muito estranha, me emocionei ao lembrar meus antepassados que saíram do país e me permitiram conhecer a sua terra. Entramos num longo caminho de túneis e viadutos, uma paisagem belíssima, com cidades incrustadas nas rochas e sempre com a torre de uma igreja à vista. Continuavam as lavouras de girassóis. 

caminho para Pisa



Pisa
Em Pisa, outra surpresa, guaraná antárctica no minimercado da esquina de casa, garantimos pizza com guaraná na segunda noite. Na primeira fomos comer pizza num restaurante da Piazza Vittorio Emanuele II. Ao contrário de tudo o que li e ouvi, as pizzas italianas foram as melhores que comi até hoje. Pisa também nos ofereceu a primeira praia sem areia. A Marina di Pisa, onde fomos, é uma praia cheia de pedrinhas brancas, difícil de caminhar, mas com um lindo por do sol.
Pisa



Marina di Pisa


Rio Arno

Marina di Pisa

Piazza dei Miracoli

Marina di Pisa

Torre Pendente


Piazza dei Miracoli


Então chegou a hora de cruzar as portas de Roma. Chegamos à capital no meio da tarde de uma quinta-feira. Confesso que a princípio a ideia de conhecer Roma não me encantou, prefiro as cidades do interior, mas como não se apaixonar por aquela cidade? Ainda mais depois de conhecer o lugar que iríamos ficar. Optamos por uma casa, reservada pelo Airbnb. E o lugar nos surpreendeu, uma villa num bairro a vinte quilômetros do centro, parecia que estávamos em qualquer cidade do interior, no alto de uma colina, com o rio Tevere passando ao lado. O primeiro passeio foi para conhecer o Coliseo e seu entorno. Saímos quase ao meio dia de casa, depois de calcular distâncias e horários do metrô, achamos que a melhor opção seria ir de carro e deixá-lo em um estacionamento. Qual foi a surpresa quando depois de uma volta a procura do estacionamento que tínhamos mapeado, encontramos uma vaga na rua. A via di Monte Brianzo estava a quatro quilômetros do Coliseo e lá fomos nós numa bela caminhada com muito calor romano. Como não tínhamos comprado entradas antecipadas, estávamos preparados para enfrentar uma longa espera até entrar, mas as expectativas não se confirmaram, em menos de vinte minutos estávamos dentro do Monumento.
vista de casa, rio Tevere








Piazza Venezia

vista do Coliseo











O segundo dia foi dedicado ao Vaticano. Também tivemos sorte em achar estacionamento na rua e nem foi preciso procurar, era sábado e quase não tinha movimento nas ruas. Dessa vez, a espera foi um pouco maior na fila, até passar o detector de metais, mas não mais que quarenta minutos. Depois da visita, passamos pelo correio do Vaticano para enviar cartões para as vovós. E antes de seguir caminhando pelas ruas tranquilas de Roma, uma parada para mais uma pizza. Em uma praça na beira do rio uma cena insólita, ensaio fotográfico de um casamento chinês, noivos, pais, padrinhos e alguns convidados seguiam as ordens dos fotógrafos gerando diversão do público que assistia. Na volta para casa, a solução de um problema. Fomos atrás de erva-mate em um mercado público do outro lado da cidade. O Nuovo Mercato Esquilino lembra os piores dias do mercado público de Porto Alegre, sujo e fedido. Mas encontramos erva, paraguaia, e garantimos uns mates vendo o por do sol no terraço da casa e mais alguns durante a viagem.










Basílica

guarda do Papa



Pietá
Corte di Cassazione






Domingo pela manhã chegava ao fim a primeira parte da aventura. Era hora de começar a voltar para casa. Tínhamos mais de dois mil quilômetros para fazer e alguns lugares a conhecer. 
não era F1, mas havia três ferraris na pista
O primeiro foi Florença, uma cidade encantadora. Aí tivemos o primeiro sufoco, como não conseguíamos lugar para ficar resolvemos tentar algo quando chegássemos lá. Por sorte, na primeira avenida que entramos tinha vaga em um hostal. A razão de não haver quase disponibilidade de hospedagem era o Festival de Orquestra Jovem, que acontecia na cidade. Do hostal saímos a conhecer a cidade a pé. Na volta, exaustos, comemos a melhor massa italiana! Nos despedimos da Itália com a lembrança da amabilidade e simpatia dos italianos.















visão do alto da cidade



Duomo
Antes de chegar à Marseille, na França, uma espiadinha rápido no Principado de Monaco.








Entramos em Marseille quase dez da noite e fomos surpreendidos mais uma vez com o apartamento que escolhemos, extremamente acolhedor, e com a atenção do proprietário. Em geral, os restaurantes na França começam e terminam cedo da noite os serviços. Então, depois de instalados saímos à procura de um lugar onde comer. O dono do apartamento nos acompanhou na busca e durante o passeio ainda indicou onde encontrar o melhor pão, o melhor açougue e as várias opções do bairro. No dia seguinte, um passeio pelas longas ladeiras da cidade nos levou até a igreja de Notre Dame de La Garde, com uma visão magnífica da cidade.















Restavam mais duas paradas antes de chegar em casa. A primeira foi logo ao cruzar a fronteira da Espanha. Voltamos para as praias, dessa vez em Roses, Girona. Apesar de estar em terras espanholas, a impressão era de um território da França, de tantas vozes francesas que ouvíamos. Só tivemos certeza de estar na Espanha pela maravilhosa paella que comemos em um restaurante a beira da praia. Pela primeira vez, o tempo se apresentou nublado e de noite uma bela chuva para acalmar um pouco o calor, mas que levou também o sol. 

As kombis chamam a atenção nas estradas da França


praia de Roses



Andamos um pouco mais e chegamos em Moncofa, na região de Valencia. Encontramos mais uma praia com pedras. Uma paisagem muito bonita, mas com poucas opções de banho, apenas em uma praia próxima foi possível aproveitar o dia meio ensolarado depois de uma bela tormenta de vento e chuva que nos recebeu na primeira noite.
Comunidade Valenciana

Roses

depois do temporal, bandeira vermelha








Saímos de Moncofa ao meio-dia para o destino final. A paisagem da estrada começa a mudar, saiam os pés de laranjeira e entravam as oliveiras, estávamos na Andalucía novamente. Como falei no início trocamos de apartamento e ao chegar ao novo fomos recebidos com uma lembrança especial de boas vindas deixada pelos nossos amigos Cristina e Michelangelo. Ainda sobre amigos, também recebemos o apoio dos amigos Antonio e Maíra que cuidaram do nosso carro, com algumas coisas da mudança, enquanto estávamos fora. Chegamos em Córdoba no final da tarde a tempo de aproveitar o calor e jantar no nosso restaurante preferido, o Morilles Patanegra. Fim de férias, hora de trabalhar para garantir as próximas!

pomares de laranjas

ainda em Valencia

a caminho da Andalucía

estamos em Córdoba